Global Marshall Plan
Grandes pensadores apresentam uma alternativa
à resposta violenta ao terrorismo pós 11 de setembro.
sexta-feira, 19 de Novembro de 2004
Uma globalização rápida e desequilibrada
levou a uma crescente desigualdade, degradação ambiental
e instabilidade social, questões que há muito deixaram
de ser problemas locais. Em um mundo com uma economia e um sistema
de informações global é no mínimo ingenuidade
achar que esses problemas não atingem o mundo como um todo
ou ter a pretensão de resolvê-los localmente.

Kofi Annan recebendo a proposta do GMP
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No dia 16 de Maio de 2003, em Frankfurt
am Main, representantes de diversas instituições
e organizações não-governamentais de grande respaldo
mundial, incluído Club
of Rome, BUND,
Club of
Budapest, Global
Contract Foundation, Süddeutsche
Zeitung, ATTAC,
German Federal Association for Economic Development and Foreign Trade,
Organização
das Nações Unidas, Parlamento
Europeu, e muitos outros parlamentos nacionais fundaram o Global
Marshall Plan Initiative, com crescente repercussão nos
meses seguintes e até hoje.
Pessoas de indiscutível influência
como Al Gore, Michail Gorbatschow, Kofi Annan, o Papa João
Paulo II e o chanceler britânico Gordon Brown apóiam
o plano. “Com um apoio como esse, uma nova proposta de ligar
altas finanças com a necessidade dos pobres do mundo esta gerando
muita discussão.” – diz Laura Cohn em
sua reportagem no site da revista Business
Week. Recentemente a Trade Association of Austria se juntou à
Iniciativa, tornando-se a primeira associação de comércio
de um país inteiro a se comprometer com o plano.
A Iniciativa visa à implementação
de um plano de desenvolvimento sócio-ambiental que deverá
se estender pelos dois hemisférios, atuando como base para
um mercado social e ambiental global. Basicamente é um co-financiamento
para o desenvolvimento por países desenvolvidos que seria canalizado
diretamente para os países que necessitam de ajuda, em troca
de uma mudança de curso rumo ao desenvolvimento sustentável.
A experiência de expansão da União
Européia, onde o principio é o co-financiamento
em troca de um ajuste de padrões sócio-ambientais pode
ser citado como um modelo para esse tipo de mercado. A Iniciativa
porta ainda bandeiras como a da energia 100% renovável para
evitar guerras pelo petróleo e desenvolvimento para cortar
o mal do terrorismo pela raiz.
No Plano Marshall original os Estados
Unidos investiram menos de 2% do seu PIB (o equivalente a 150
bilhões de dólares nos valores de hoje, segundo a revista
Veja)
para restaurar completamente a Europa. Especialistas nas áreas
de economia e finanças globais estimam que aproximadamente
120 bilhões de dólares por ano seriam necessários
para realizar o plano. Os EUA
sozinhos gastam 400 bilhões de dólares por ano apenas
com despesas militares. Franz
Alt, em sua página Sonnenseite, faz outra comparação,
mencionando que os paises industrializados gastam hoje aproximadamente
0,2% de seu PIB com programas de ajuda ao desenvolvimento e que aumentando
esse numero para apenas 0,4% poder-se-ia viabilizar o plano.

Placares de programas de ajuda a
países subdesenvolvidos
abundam nas ruas de Aachen, na Alemanha.
O objetivo concreto da iniciativa é colocar
a União Européia
à frente de um movimento mundial em prol de um Plano Marshall
Sócio-Ambiental Global. Inicialmente pretende-se criar um conselho
consultivo dentro da Comissão
Européia e em seguida convencer os parceiros remanescentes
a colaborarem. Para que isso aconteça, a iniciativa trabalha
para introduzir uma campanha a nível europeu e para influenciar
organizações como ILO,
WTO e Banco
Mundial. Uma vasta rede de apoio formado essencialmente por Organizações
Não-Governamentais também é considerado fundamental
para o êxito do processo.
A Iniciativa ainda tem um longo caminho pela frente,
mas uma coisa está se tornando clara: a proposta esta sendo
levada muito mais a sério sendo anunciada por grandes personalidades
de países desenvolvidos e organizações de respaldo
internacional.